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Cem anos de 22

14 março | POSTADO ÀS 02:03 H

Muito se diz que a vida imita a arte. Se isso é verdade, não é de se surpreender que um movimento liderado por jovens artistas tenha mudado os rumos de todo um país e seu povo. Poucos movimentos são capazes de transformações tão profundas. Mas a centenária Semana de Arte Moderna de 1922 – eternizada como Semana de 22 – mantém seu legado na cultura brasileira mesmo um século mais tarde.

Liderado por figuras como Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Mário de Andrade, Heitor Villa-Lobos, entre muitas outras, o movimento ofereceu contribuições radicais na forma e no conteúdo das mais diversas artes. Pintores, escultores, poetas, romancistas, músicos, reuniram-se no, então recém-inaugurado, Theatro Municipal de São Paulo para declamar, expor e tocar o que viria a ser um dos capítulos mais marcantes da nossa história.

Os modernistas, como ficaram conhecidos, propunham uma arte genuinamente brasileira, capaz de adaptar (regurgitar, como diziam) as vanguardas europeias junto dos elementos nacionais. Contrapunham-se ao eurocentrismo e aos padrões naturalistas de uma Europa que julgavam atrasada.

Modernismo na arquitetura e design

Das artes plásticas e das letras, logo o movimento expandiu-se e desdobrou-se nos mais diferentes campos. Veio uma revolução estética que impactou inclusive a arquitetura e o design, ramo em que a Novidário atua.

Inicialmente tímida, esta participação foi se fortalecendo com o passar dos anos. Se a “Casa Modernista”, um dos primeiros registros desta arquitetura no país, data de 1930, oito anos pós 22, na década de 40, 50, o Brasil veria o modernismo invadir sua arquitetura de maneira deslumbrante.

As referências extrapolam as dezenas, acumulando nomes conhecidos popularmente, como Lina Bo Bardi, Oscar Niemeyer, Lucio Costa, Burle Marx e muitos outros. Inúmeros edifícios, praças, parques, calçadas e até cidades, incluindo a capital federal Brasília, foram concebidas sob fortíssima influência do modernismo, deflagrado em terras brasileiras na Semana de 22.

O mobiliário não ficaria de fora da revolução. Coube aos designers tomados pela paixão modernista decorar os vãos e salas que preenchiam os edifícios e casas de concreto armado e linhas retas — marca elementar da arquitetura moderna.

Dos pioneiros, o suíço John Graz, de quem se vê o cartaz, ocupou o número 488 da nobre Rua Bela Cintra, em São Paulo. Dos mais completos artistas, além de assinar telas, dedicou-se também ao mobiliário. Outro estrangeiro que acabou por radicar-se, viver e morrer em solo brasileiro foi o ucraniano Gregori Warchavchik, a quem é atribuída a Casa Modernista.

A participação de ambos europeus no cenário nacional foi importantíssima, deixando um vasto acervo que serviu de base para a ascensão de toda uma geração de designers brasileiros que viriam mais tarde. Dos mais notórios, Sérgio Rodrigues, falecido em 2014, elevou a movelaria brasileira a outro patamar. A poltrona Mole (1957), obra-prima do designer, ganhou os olhares do mundo inteiro, sendo hoje parte do acervo permanente do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, o MoMA.



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